Queridos, queridas,
O tempo tem sido um tanto exigente comigo. A vida tem me presenteado com tarefas, desafios e algumas provas de superação.
Fácil não tem sido, é verdade. Mas não há de ser nada impossivel de suportar e vence-los.
É tempo de plantar. Não tenho dúvidas. Agora, passos iniciais de um novo ciclo de minha vida e de outras, que estão ligadas à minha por razões diversas, estão sendo dados. Algumas vezes regados à lagrimas de saudade, dor; outras, de felicidade e superação.
A vida é assim mesmo. Triste de quem não compreende, se abate e não se permite vivê-la com todas as suas dores e alegrias.
Das muitas coisas que me dói nos últimos tempos, não ter podido passar mais tempo com vocês está no topo da lista, junto de outras tão importantes nesta minha existência.
Se é verdade que as reais amizades independem do espaço geográfico, territorial para existirem, é tanto verdade também, o quão delicioso é poder compartilhar a vida com aqueles e aquelas que são um pedaço de nós no mundo.
Gostoso mesmo é ter amigos e amigas e ser amiga. Não abro mão disso. Mesmo que o tempo, a distância, os afazeres diários, os problemas da vida contribuam para atrapalhar, separar e distanciar.
"Os verdadeiros amigos sabem entender o silêncio e manter a presença mesmo quando ausentes" disse Renato Teixeira. Salve as verdadeiras amizades, os/as verdadeiros amigos/as.
Em outros tempos também plantei e colhi belas amizades.
A vida agora exige plantar novamente em busca de novas experiências, de novos aprendizados, novas conquistas. Eu sigo caminhando e preservando e cultivando tudo o que já conquistei na vida com o maior cuidado, regando, mesmo de longe.
Amigos, amigas. Saudade é amor que fica. A amizade continua aqui dentro do coração mesmo quando estou longe e super ocupada. Mesmo quando não posso contemplar junto de vocês o por do sol embalado pelo reggae e as risadas, tão planejado e aguardado para este mês de julho.
Aqui, em meio à preparação das minha aulas, planejamento das tarefas da semana, tarefas relacionadas à familia etc etc, vou regando com carinho, amor e cuidado nossa amizade para que ela viva por todo o tempo.
31 de julho de 2011
27 de abril de 2011
Livro do mês: O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
"(...) nada começa que não tenha que acabar, tudo o que começa nasce do que acabou."
"(...) já os filhos brilham nos olhos das mães (...)"
"(...) pois o deserto não é aquilo que vulgarmente se pensa, deserto é tudo quanto esteja ausente dos homens, ainda que não devamos esquecer que não é raro encontrar desertos e securas mortais em meio de multidões."
29 de março de 2011
Os caminhos
Ela já o conhecia e o achava lindo. Não de beleza física. Mas de beleza de pessoa interessante, inteligente. E não sabia se ele sabia dela.
Uma manhã, o telefone tocou:
Ela: Oi...
Ele: Oi, quem fala...
Ela (sabia que aquele número era dele!): Sou eu, Clarissa...da universidade.
Ele: Ah, desculpe, estava limpando a agenda do meu telefone. Achei que fosse outra Clarissa. Você está bem?
Ela: Agora que sabes que esse número é meu vais apagar?
Ele: Não! Eu posso precisar...Bom, outra hora falamos. Tchau
O coração de Clarissa disparou. Uma alegria contagiante. Não era uma ligação errada, ela tinha certeza.
Naquela noite, ela viajaria a trabalho, chegou muito antes do horário de seu voo ao aeroporto, irritada. Foi confirmar seu voo e quando virou, deu de cara com Ele. Conversaram. Se despediram. Última chamada do voo dele.
Depois de 15 minutos, o telefone dela tocou:
Ela: Oi..
Ele: Meu voo está atrasado. Não queros vir para cá comigo?
Ela correu até ele. Conversaram. Se olharam demoradamente. Estavam delizes com aquele encontro inesperado. Até que o voo iria partir.
Ele levantou e disse tchau. E se foi. Ela, inebriada por aquele inesperado encontro na madrugada.
Ele voltou, beijou seus lábios..."desculpe, não resisti!", ele disse.... E se foi.
O telefone dela tocou:
Ele: estou ligando so para dizer que dessa vez não teve problema, embarquei, estou dentro do avião..
Ela: que pena...
A madrugada ficou muito mais alegre....para os dois...
Uma manhã, o telefone tocou:
Ela: Oi...
Ele: Oi, quem fala...
Ela (sabia que aquele número era dele!): Sou eu, Clarissa...da universidade.
Ele: Ah, desculpe, estava limpando a agenda do meu telefone. Achei que fosse outra Clarissa. Você está bem?
Ela: Agora que sabes que esse número é meu vais apagar?
Ele: Não! Eu posso precisar...Bom, outra hora falamos. Tchau
O coração de Clarissa disparou. Uma alegria contagiante. Não era uma ligação errada, ela tinha certeza.
Naquela noite, ela viajaria a trabalho, chegou muito antes do horário de seu voo ao aeroporto, irritada. Foi confirmar seu voo e quando virou, deu de cara com Ele. Conversaram. Se despediram. Última chamada do voo dele.
Depois de 15 minutos, o telefone dela tocou:
Ela: Oi..
Ele: Meu voo está atrasado. Não queros vir para cá comigo?
Ela correu até ele. Conversaram. Se olharam demoradamente. Estavam delizes com aquele encontro inesperado. Até que o voo iria partir.
Ele levantou e disse tchau. E se foi. Ela, inebriada por aquele inesperado encontro na madrugada.
Ele voltou, beijou seus lábios..."desculpe, não resisti!", ele disse.... E se foi.
O telefone dela tocou:
Ele: estou ligando so para dizer que dessa vez não teve problema, embarquei, estou dentro do avião..
Ela: que pena...
A madrugada ficou muito mais alegre....para os dois...
8 de março de 2011
Mulheres: Liberdade!!!!
Assim eu vejo a vida
A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
6 de março de 2011
"Tudo é questão de despertar sua alma"
Hoje, Gabriel García Marquez completa 83 anos de vida.
O mundo agradece a obra deste "eterno amante da palavra", não apenas pela sua produção literária, mas por sua vida, seu engajamento político e essa forma tão simples e apaixonante de descrever vidas e estórias do povo da América Latina.
Quando li "O amor nos tempos do cólera", senti a alma ser desperta para novas vivências. O livro todo é lindo, mas esses dois trechos, me traduzem toda em relação a esta obra.
"É incrível como se pode ser tão feliz durante tantos anos, no meio de tanto bate-boca, tantas chateações, porra, sem saber de verdade se isso é amor ou não."
"Nada nesse mundo é mais dificil que o amor"
Vida longa à Gabri García Marquez!!!
5 de março de 2011
Sobre lobos e meninos - Por Paulo Fonteles Filho
Uma página precisa ser aberta no contexto do debate acerca da Comissão da Verdade sob pena de mantermos uma visão parcial dos acontecimentos que envolveram nossos anos-de-chumbo, particularmente no Araguaia: o tratamento dado ao soldado brasileiro.
Aqui não falo de Bandeiras ou Moogs, Licíos ou Curiós, todos oficiais que atuaram como bestas-feras contra brasileiros, que na paisagem da invasão militar às matas do Pará sabemos com rigor documental terem agido com violência desmedida contra camponeses e guerrilheiros. Só não sabemos e precisamos saber é como os mandatários da caserna, em tempos de guerrilha na Amazônia, tratavam o mais modesto e popular de seus elementos, o próprio soldado. O soldado que é a razão de ser de qualquer Exército do mundo, da antiguidade até os dias atuais.
Faço esse aparte porque tudo pode faltar a uma força militar em combate, menos o soldado. Poderia haver, na Roma antiga, mil espadas, mas se não houvesse mil braços pretorianos a empunhá-las o contencioso estava decidido para a força oponente. Assim foi nos tempos de Júlio César e assim o é mesmo com as mais profissionais gendarmerias do século XXI.
O fato é que o grosso dos soldados que serviram o Exército para combater as Forças Guerrilheiras do Araguaia fora recrutada na própria região conflagrada.
Muitos deles tateavam o inicio do ciclo da vida adulta. Vinham das currutelas e grotas, muitos moravam em castanhais e mal sabiam escrever o nome, eram filhos das populações tradicionais ou de retirantes. Todos, sem exceção, filhos da tragédia brasileira, alargada pela visão de que os pobres eram um problema para a segurança nacional.
Contra estes meninos ouso dizer que os lobos bem-graduados transformaram-nos em seguras cobaias e promoveram um pérfido laboratório. Os métodos empregados contra camponeses e guerrilheiros foram cientificamente utilizados pelos “Doutores” (quem conhece a linguagem da repressão política sabe do que estou falando) junto aos recrutas.
Vamos a exemplos: alguém aí sabe o que é o Pau-do-Capitão? O Pau-do-Capitão é a versão recruta zero para a Cadeira-do-Dragão. O tal instrumento de tortura fora largamente utilizado contra os moços sob o sol escaldante da Amazônia matando os sonhos de servir a pátria. Alías, não apenas ao nobre sonho de defender com fervor seu país, mas qualquer outro sonho. Há ex-soldados, confesso, que não sonham há mais de trinta e cinco anos não porque torturaram, mas porque foram torturados.
Um caso diz respeito a um soldado que levava e trazia um preso para a sessão de tortura no 52 BIS em Marabá, em 1974. Durante dez dias os dois iam e vinham silenciosos, jamais trocaram uma palavra ou olhares. Em ambos a dualidade que envolve um vulcão e um funeral. Isto seria corriqueiro em tempos onde o aparelho estatal brasileiro estava vocacionado para a tortura se a questão não envolvesse pai e filho. Por dez dias o filho, soldado, levava e buscava, o pai, tido como subversivo, para as sessões de surra pedagógica. E todos no 52 BIS sabiam disso, todos sem exceção.
Quando ouvi aquele ex-soldado relatar tal história na frente de outros 50 ex-soldados senti todas as dores do mundo, suas crueldades e virtudes. Vejo aquele menino de 19 anos e 45 quilos, fardado, metralhadora em punho caminhando pelo calvário das gigantescas extensões daquele quartel. Penso em seu silêncio apenas rompido pelo passo do coturno e pelo sofrimento engolindo sangue do torturado, também silencioso. E assim iam pai e filho. E nestes mais de 35 anos só trocaram palavras apenas uma única vez, num velório em Belém do Pará.
Nunca mais vou esquecer essa imagem, não quero, não posso. Não é um direito que gozo sob pena de esquecer quem sou e de onde vim. Ao longo de 39 anos já vi e senti muitas coisas duras. Nasci numa prisão porque minha mãe fora presa grávida e barbaramente torturada comigo no ventre. Vi um pai assassinado pelas balas do latifúndio aos 15 anos de idade cujo organizador do crime, James Vita Lopes, atuou na Oban e SNI. Vi muitos companheiros perseguidos e mortos. Há muitos anos que meu couro endureceu e isso até tem me ajudado a continuar na luta e escrever este artigo nesta alta madrugada de segunda-feira em São Domingos do Araguaia. O fato é que aquele menino de 19 anos de 1974 quer falar e sua virtude, sua generosidade, é querer educar toda uma geração de outros meninos e isso será determinante para a felicidade espiritual do povo brasileiro. É por isso que a causa humana é inexorável tal qual a primavera do poeta comunista Pablo Neruda.
Mas outros pedem passagem e também querem falar e falar muito.
Um dos poucos soldados incorporados em Belém descreve a presença do DOI, cujos agentes chamavam de “Chefe” para o então Capitão Luchini. Queria ser barbeiro, aprender uma profissão, mas começou a se decepcionar quando um colega, também soldado, que prestava a guarda de um Osvaldão já morto foi levado para servir de relaxamento para os pára-quedistas oriundos do Rio de Janeiro, tropa de elite decisiva para debelar o movimento insurgente do Araguaia.
O aperitivo de entrada para a paranóica festa realizada quando do tombamento do comandante negro das matas foi dar choques e pancadas nos testículos do amigo daquele que ora narramos.
A ilusão com o quartel e com as tesouras encerrou-se, em definitivo, quando um Coronel, oficial do Estado-Maior, requisitou-lhe a ir até a residência para cortar o cabelo. Ao final do trabalho tal Coronel chama-lhe ao banheiro para ver como havia ficado o corte e o soldado-barbeiro se vê obrigado a manter relações sexuais com o oficial. Se aquele moço não trava a luta teria sido estuprado em plena Vila Militar.
Há um amontoado de nomes covardes na memória daqueles ex-meninos e os mais citados são sempre os Sargentos Anselmo, Hélio e Trajano e o Tenente Elton. Se o Tenente obrigava-os a tomar sangue de boi, o Sargento Trajano é o mais detestado.
Não era apenas detestado pelos maus-tratos dados aos subordinados, mas, sobretudo porque quando entrava na mata, em operações que chegavam a durar 15 dias ininterruptos revelava desmedida covardia e literalmente cagava nas calças de medo de guerrilheiro. Tal pavor fez com que obrigasse uma tropa toda de 14 homens fuzilar 3 castanheiros que saíam do banho de igarapé num final de tarde num mês perdido de 1974 num ponto remoto, de mata fechada em São João do Araguaia/Pa. Dezenas de camponeses, relatam, foram mortos desta maneira e outras dezenas sob tortura, não importava se em ambientes militares ou na mata fechada.
Mas não encerro por aí com o Sargento Trajano.
Depois de ver três castanheiros mortos, o antes covarde e guerrilheirofóbico Sargento Trajano retoma com suas vestes de brutamontes dos tempos de instrução no 52 BIS, quando poderia ser percebido pelo Estado-Maior como o mais abnegado dos patriotas.
Tal transformação foi tão imediata como o cheiro de pólvora depois de uma rajada de metralha. Agora novamente o Trajano era o machão. E logo a tropa encontrou com as famílias e colegas de trabalho dos que lá atrás foram deixados insepultos.
Segundo o relato que colhi, as mulheres velhas e novas tremiam, e os homens, velhos e novos, estavam todos urinados. As crianças choravam muito. Não poderia haver melhor palco para o Sargento. Não poderia haver melhor sinfonia para o Sargento. Aí é que ele se soltava, rajada para cima, cano incandescente de FAL na costa de um e de outro. Mas se aparecesse a Dina era capaz do dantesco e festivo Sargento Trajano fustigar suas próprias entranhas.
Todos eles querem falar, deixemo-nos, pois.
Passaram suas vidas com os lobos rondando seus telhados, humanidades e consciências. Um deles sente, por todos os malditos dias, o sangue de uma cabeça cortada percorrendo suas costas e seus caminhos e quer se libertar para resgatar toda uma vida que não foi e que nunca poderá ser se não disser o que sabe, o que viu, o que sente.
Parecem ter a altivez de compreender que só podem fazer isso se estiverem cerrando fileiras para localizar outros meninos que estão sepultados pela região do Araguaia. Neste caso ambos os meninos foram vitimas do mesmo algoz. É por isso que secretamente, naquelas noites sombrias da década de 1970 os meninos não-guerrilheiros levavam aos meninos-insurgentes, escondidos, cigarros ou comida. O Eduardo, guerrilheiro sobrevivente do Araguaia, não me deixa mentir.
Muitos irão se incomodar quando as vozes forem amplificadas.
O que me preocupa é que isso venha de setores que dizem defender a civilizatória causa do direito à memória e verdade. Para alguns, até o camponês que se viu obrigado a ser rastejador depois das mais bestiais torturas, se equivale ao General Hugo de Abreu. Aqui, a vitima se transforma em vilão e, os que verdadeiramente têm as mãos sujas de sangue aplaudem a confusão e vão se perpetuando na decrépita condição que a covardia enseja a suas velhices.
Espero que o que vamos escutar daqui para frente dos ex-soldados possa ajudar nas mentalidades daqueles que estão nos quartéis, de todos os seus generais, que a defesa da pátria é também de verdade histórica e tenham em Pery Beviláqua um belo exemplo à ser seguido.
E que não ousem os recalcitrantes de plantão tentar silenciar as vozes que se libertam porque até as mais diminutas pedras do Araguaia criarão ouvidos tal o ensurdecedor barulho que só a consciência avançada é capaz de produzir.
Espero que o que vamos escutar daqui para frente dos ex-soldados possa ajudar nas mentalidades daqueles que estão nos quartéis, de todos os seus generais, que a defesa da pátria é também de verdade histórica e tenham em Pery Beviláqua um belo exemplo à ser seguido.
E que não ousem os recalcitrantes de plantão tentar silenciar as vozes que se libertam porque até as mais diminutas pedras do Araguaia criarão ouvidos tal o ensurdecedor barulho que só a consciência avançada é capaz de produzir.
A Comissão Nacional da Verdade, de profunda dimensão democrática, cuja tarefa é proteger o futuro para uma nova geração de meninos só poderá exitar se revelar os punhais e as tramas dos lobos de 31 de Março de 1964.
Blog do Paulo Fonteles Filho: http://paulofontelesfilho.blogspot.com/
Foto: Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16353&editoria_id=5
Não recuaremos - Por Paulo Fonteles Filho
Seguimos sertões,
estradas de barro ou asfalto,
por grotas,
serras martirizadas
e certas histórias que não se apagam.
Corremos um sério risco
de não sermos mais quem somos
ou radicalizarmos
como necessidade para irmos adiante.
Passamos por rostos
em livros de sangue de toda uma época.
E certos rios ostentam pedras pretas
e são como um leme cortando caminhos.
Passamos por relatos
em casas camponesas onde a vida serpenteia atroz
em abandono, sem justiça ou escolas.
E um velho código faz saltar das mãos trêmulas,
um lamento.
É que há lobos sobre os telhados.
É que há coturnos antigos
e promessas de verdades silenciadas.
Não recuaremos.
Do Blog do Paulo Fonteles Filho: http://paulofontelesfilho.blogspot.com/2011/03/nao-recuaremos.html
Foto: Sebastião Salgado
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