3 de novembro de 2011

Vivo




Não ter medo da vida deveria ser um princípio. Desses que não abrimos mão, nem em momentos que estamos postos em teste.

Encarar a vida de frente, sem a presunção de quem quer domá-la por puro egoísmo, mas sim, de peito aberto, de quem quer respirar os ares da felicidade e da liberdade.

Obviamente, não sou eu a pessoa a afirmar que nunca tive medo de encarar a vida. Certos sentimentos nos dominam as vezes, de tal forma, que se torna impossível se opor a eles.

O que posso afirmar, é que nunca tive medo de me dar ao luxo (nem tenho certeza se posso afirmar ser isso um luxo) de viver a vida, com tudo o que ela me oferecia de bom e de ruim, ou melhor dizendo, com tudo o que ela me oferecia para que eu pudesse construir de bom e de ruim.

Devo confessar, é necessário, que tantas vezes fui teimosa ao extremo, exagerada desmedidamente, orgulhosa em excesso. E em cada uma dessas situações construí pontes que me levavam a caminhos de aprendizado e até de felicidade.

Construo caminhos todos os dias.

Em cada momento.

Num olhar, numa palavra, num gesto.

Que me levem a lugares desconhecidos, ou até mesmo aos conhecidos que nunca ousei seguir.

Tantas vezes chorei, recuei, driblei vontades. Não me arrependo. Aprendi.

A vida segue. 

Respirar deve ser um desses aprendizados que não devemos abrir mão.

Respirar e encher os pulmões de vida. 

Seguir os impulsos do coração; dar ouvidos à razão, mas guiar-se apenas por ela jamais.

Os desafios vem, ensinam, passam. 

Fico. Eu e o caminho que construo.

2 de agosto de 2011

Emoção, política e Nelson Jobim.

Hoje pela manhã, quando sai do trabalho, passei por uma esquina na qual estava um senhor e um menino, este devia ter uns 8 anos de idade, paraciam ser pai e filho. O pai pedia às pessoas que passavam pela rua para lhes comprarem um lanche. Horas depois, enquanto esperava o ônibus, encontrei uma senhora bem idosa, já com dificuldades para andar, pedindo dinheiro para as pessoas. Segundo a própria, "ela estava aperreada porque haviam cortado a sua luz" por isso pedia dinheiro, para pagar a conta.
Nessas horas, dá um nó na garganta.

Já em casa, a tarde, pela primeira fiz meu primo de apenas 7 meses dormir. Enquanto eu o embalava, o acalantava, lembrei-me daquelas pessoas que encontrei no caminho para casa.

O nó na garganta voltou. Essa sensação de que não fizemos nada por esta gente que tanto sofre, mesmo com os avanços consideráveis alcançados com muitas lutas, é de deixar qualquer ser arrasado.

Enquanto recordava dessas pessoas, que nem conhecia até a manhã de hoje, e que continuo não conhecendo nada além daquele olhar de tristeza , lembrei do senhor ministro da defesa do Brasil, Nelson Jobim.
Este cidadão foi o entrevistado do programa Roda Viva, na TV Cultura na noite de ontem. Não o assisti. Estava extremamente cansada depois de um dia todo de aulas ministradas. Mas enquanto exercia o que me cabe de liberdade de expressão em relação aos programas de televisão - mudar de canal - ouvi uma pergunta à ele e sua resposta. A apresentadora perguntou se ele se sentia desprestigiado pelo fato de ter sido muito mais recebido no Palácio do Planalto pelo ex presidente Lula do que o é hoje pela presidenta Dilma.
Jobim respondeu com uma negativa, disse que não se ressente por este fato, para ele política é algo separado das emoções, "aprendeu que na política até as brigas são combinadas", só mistura política e emoção os iniciantes e o tolos, ou algo muitissimo parecido com isso.

Então fiquei pensando como é que posso olhar para um pai e filho (uma criança de menos de 10 anos) que pediam comida e a uma senhora idosa que pedia dinheiro na rua para pagar sua conta de energia e não me emocionar? Como pode, eu que sou militante, filiada a partido politico, atuante, eatudiosa, que compreendo como esse sistema funciona, que sei quais mudanças devem ser feitas, que busco respostas para realizar essas mudanças, e que para isso, uso minha racionalidade, como é que posso não sentir um nó na garganta?
Militei, estudei, compreendi o bastante para saber que há de se mudar a super-estrutura. Há que se construir uma nova ordem. Os programas implantados atualmente pelo governo brasileiro podem acabar com a fome de comida e de existência imediatas, mas a longo prazo, não acabará. Disso eu sei. Sei também que nã gestão pública é necessário a combinação entre racionalidade e emoção.

Mas de que me basta saber dessa engrenagem se dentro do meu peito eu não carrego nenhum sentimento, nenhum respeito por esta gente? De que adianta o conhecimento aprendido e apreendido na acadêmia se eu não consigo transformá-los em ações efetivas que mudem a vida do povo brasileiro? De que adianta?

Como pode uma costureira fazer uma roupa se ela não sabe cortar, alinhavar, costurar? Como pode uma cozinheira preparar uma refeição se ela não conhece ingredientes, não sabe cortar, temperar? Como pode um político, que assume tarefa no poder executico ter suas ações políticas separadas da emoção? Como pode um gestor não conhecer seu povo e aproximar dele e de suas dores, se o seu papel é justamente de o representar?

Na minha humilde visão, pelo meu pouco conhecimento de vida, não acredito nessa divisão entre política e emoção.

Eu não vivi as mesmas dores daquelas pessoas que encontrei nesta manhã, mas senti parte dela. E vendo meu priminho tão pequeno ali no meu colo e o mundo tão grande e tão injusto que ele e tantas outras crianças nasceram, prefiro acreditar no velho Marx que afirmava que não podemos embrutecer e no velho Che, que nos dizia "endurecer, sem perder a ternura jamais".

31 de julho de 2011

Aos/as amigos e amigas da vida

Queridos, queridas,

O tempo tem sido um tanto exigente comigo. A vida tem me presenteado com tarefas, desafios e algumas provas de superação.


Fácil não tem sido, é verdade. Mas não há de ser nada impossivel de suportar e vence-los.


É tempo de plantar. Não tenho dúvidas. Agora, passos iniciais de um novo ciclo de minha vida e de outras, que estão ligadas à minha por razões diversas, estão sendo dados. Algumas vezes regados à lagrimas de saudade, dor; outras, de felicidade e superação.


A vida é assim mesmo. Triste de quem não compreende, se abate e não se permite vivê-la com todas as suas dores e alegrias.


Das muitas coisas que me dói nos últimos tempos, não ter podido passar mais tempo com vocês está no topo da lista, junto de outras tão importantes nesta minha existência.


Se é verdade que as reais amizades independem do espaço geográfico, territorial para existirem, é tanto verdade também, o quão delicioso é poder compartilhar a vida com aqueles e aquelas que são um pedaço de nós no mundo.


Gostoso mesmo é ter amigos e amigas e ser amiga. Não abro mão disso. Mesmo que o tempo, a distância, os afazeres diários, os problemas da vida contribuam para atrapalhar, separar e distanciar.


"Os verdadeiros amigos sabem entender o silêncio e manter a presença mesmo quando ausentes" disse Renato Teixeira. Salve as verdadeiras amizades, os/as verdadeiros amigos/as.


Em outros tempos também plantei e colhi belas amizades.


A vida agora exige plantar novamente em busca de novas experiências, de novos aprendizados, novas conquistas. Eu sigo caminhando e preservando e cultivando tudo o que já conquistei na vida com o maior cuidado, regando, mesmo de longe.


Amigos, amigas. Saudade é amor que fica. A amizade continua aqui dentro do coração mesmo quando estou longe e super ocupada. Mesmo quando não posso contemplar junto de vocês o por do sol embalado pelo reggae e as risadas, tão planejado e aguardado para este mês de julho.


Aqui, em meio à preparação das minha aulas, planejamento das tarefas da semana, tarefas relacionadas à familia etc etc, vou regando com carinho, amor e cuidado nossa amizade para que ela viva por todo o tempo.

27 de abril de 2011

Livro do mês: O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago




"(...) nada começa que não tenha que acabar, tudo o que começa nasce do que acabou."


"(...) já os filhos brilham nos olhos das mães (...)"


"(...) pois o deserto não é aquilo que vulgarmente se pensa, deserto é tudo quanto esteja ausente dos homens, ainda que não devamos esquecer que não é raro encontrar desertos e securas mortais em meio de multidões."

29 de março de 2011

Os caminhos

Ela já o conhecia e o achava lindo. Não de beleza física. Mas de beleza de pessoa interessante, inteligente. E não sabia se ele sabia dela.

Uma manhã, o telefone tocou:

Ela: Oi...

Ele: Oi, quem fala...

Ela (sabia que aquele número era dele!): Sou eu, Clarissa...da universidade.

Ele: Ah, desculpe, estava limpando a agenda do meu telefone. Achei que fosse outra Clarissa. Você está bem?

Ela: Agora que sabes que esse número é meu vais apagar?

Ele: Não! Eu posso precisar...Bom, outra hora falamos. Tchau

O coração de Clarissa disparou. Uma alegria contagiante. Não era uma ligação errada, ela tinha certeza.

Naquela noite, ela viajaria a trabalho, chegou muito antes do horário de seu voo ao aeroporto, irritada. Foi confirmar seu voo e quando virou, deu de cara com Ele. Conversaram. Se despediram. Última chamada do voo dele.

Depois de 15 minutos, o telefone dela tocou:

Ela: Oi..

Ele: Meu voo está atrasado. Não queros vir para cá comigo?

Ela correu até ele. Conversaram. Se olharam demoradamente. Estavam delizes com aquele encontro inesperado. Até que o voo iria partir.

Ele levantou e disse tchau. E se foi. Ela, inebriada por aquele inesperado encontro na madrugada.

Ele voltou, beijou seus lábios..."desculpe, não resisti!", ele disse.... E se foi.

O telefone dela tocou:

Ele: estou ligando so para dizer que dessa vez não teve problema, embarquei, estou dentro do avião..

Ela: que pena...

A madrugada ficou muito mais alegre....para os dois...

8 de março de 2011

Mulheres: Liberdade!!!!




Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Cora Coralina

6 de março de 2011

"Tudo é questão de despertar sua alma"

 
 

Hoje, Gabriel García Marquez completa 83 anos de vida.


O mundo agradece a obra deste "eterno amante da palavra", não apenas pela sua produção literária, mas por sua vida, seu engajamento político e essa forma tão simples e apaixonante de descrever vidas e estórias do povo da América Latina.

Realmente, após ler algumas de suas obras, tenho certeza que "tudo é questão de despertar a alma", e isso se torna bem mais prazeroso com a sua poesia.

Quando li "O amor nos tempos do cólera", senti a alma ser desperta para novas vivências. O livro todo é lindo, mas esses dois trechos, me traduzem toda em relação a esta obra.

"É incrível como se pode ser tão feliz durante tantos anos, no meio de tanto bate-boca, tantas chateações, porra, sem saber de verdade se isso é amor ou não."

"Nada nesse mundo é mais dificil que o amor"

Vida longa à Gabri García Marquez!!!