11 de março de 2015

Um parto




Ouvindo a música "`Pedaço de mim", fiquei a pensar no cansaço que sinto após algumas atividades do meu trabalho, quando preciso ficar quase uma semana fora de casa, em outro estado.

Quando volto para casa, estou feliz por mais uma atividade cumprida, mais uma tarefa realizada apesar de todos os pesares. Mas, preciso de um ou dois dias para "voltar ao normal", sair de um estado meio anestésico. Nesses dias, tenho sono descomunal, minha capacidade de concentração é baixíssima e a de dispersão vai para as alturas.

Depois que fui diagnóstica com ansiedade, e depois de iniciar a terapia e começar a refletir sobre o que sinto, como sinto e possíveis porque sinto, comecei a refletir sobre esse meu estado pós atividades no trabalho.

E começo a pensar que a ansiedade me faz ter um sofrimento constante. Ao fazer algo, sofro com o antes, com o momento de realizar e com o depois. Não bastasse esse estado permanente de tensão, todos os sentimentos que permeiam  o dia a dia, são dilatados, ganham uma intensidade que nem sempre corresponde ao que vivo naquele momento. Tenho a capacidade de sofrer mais por aquilo que minha mente projeta para o futuro do que por aquilo que se dá de fato em um determinado momento na minha vida.

Para mim, cada etapa do trabalho é como um parto mesmo, durante minha atuação nos cursos, praticamente me desloco para a tarefa que tenho que cumprir, minha mente se desliga de qualquer outra coisa. E depois de cumprida a tarefa, fica a reflexão sobre o que foi, o que fiz, porque fiz, e um cansaço, físico e mental, que leva um tempo para ser superado. O antes, o durante e o depois é uma dor, misturada com ansiedade, misturada com angústia, misturada com coragem, misturada com apreensão, misturada com medo, misturada com insegurança e misturada com esperança.

Meu trabalho não é um peso para mim, pelo contrário, de certa forma, eu me salvo nele, me edifico, sinto prazer e esperança no que faço e pelo que faço. Mas a forma como lido com os sentimentos que o meu trabalho desencadeia, a forma como desenvolvo minha percepção sobre a coisas mais simples, isso sim, parece, parece uma metade arrancada de mim, como diz a letra da música.


3 de março de 2015

E de repente, ansiedade!




Não sei como, nem quando, e nem porquê.
Mas de repente, em meio a uma das muitas mudanças que vivemos na vida, senti que tinha um mundo em mim e eu não dava conta de viver esse e nesse mundo.
Senti necessidade de procurar ajuda médica, espiritual, de amigos e amigas, pra falar dessa imensidão que eu vivia. Porque a dor física e emocional que eu sentia, me despertou para uma necessidade descontrole sobre o que eu sentia, pensava e fazia.

De repente eu amava, de repente eu vivia um amor, de repente eu passei a olhar para mim, de repente comecei a me enxergar, de repente o amor acabou, de repente, ficou difícil viver as mudanças que eu comecei com ele, sozinha. E não de repente, tudo ou muito do que eu tinha vivido, em quase três décadas de vida, caíram sem para quedas na minha vida, justamente no momento de uma profunda mudança.

Não bastava ter de viver o final de um amor, era preciso enfrentar os fantasmas da vida.
Não foi de repente que me dei conta de que precisava de ajuda médica. Levou um tempo para eu entender que as noites sem dormir, a ausência de fome, a perda de peso, o medo de ficar sozinha, os pensamentos que projetavam negativamente fatos que podiam acontecer, o descontrole emocional e as oscilações repentinas de humor, TOC, crises de choro, não eram sintomas de saudade do amor vivido, apenas. 

Não foi de repente, também, que entendi, que isso tudo já estava dentro de mim, e foi despertado, não pelo fim do amor, mas quando eu não soube lidar com uma das muitas mudanças que estamos sujeitos a viver na vida. 

Tudo se tornou sofrimento. O antes, durante e o depois, era marcado por um sentimento de ansiedade que me deixava exausta, em permanente estado de alerta.

Mas foi de repente que eu enxerguei o descontrole que me atingia quando algo saia do meu planejamento, e o quanto me fazia mal não conseguir controlar a vida e o que estava ao meu redor.

De repente, eu me perguntei como tinha conseguido sobreviver tanto tempo com isso tudo. E de repente, eu percebi quanta coisa eu perdi, joguei fora, afastei e estava afastando por conta da ansiedade.

CID F-41. De repente, essa sigla começou a fazer parte da minha vida, junto com uma série de novos "de repente eu senti isso, eu vi aquilo, eu percebi aquilo outro...".

De repente, estou em permanente terapia. Embora nada disso tenha sido tão de repente, assim.

19 de dezembro de 2011

Como não torcer pelo Barcelona ???

                                          Foto: O Dia Online - 18/12/2011

Sou uma apaixonada pelo futebol. Fui pela primeira vez a um estádio quando ainda era um serzinho na barriga de minha mãe.

Só isso para explicar acordar as 7h30 da manhã do primeiro domingo de um dezembro, final de semestre, sem me preocupar com tantos planos de aula, notas de alun@s.

Só isso não. Isso também. Associado ao jogo prometido entre Barcelona e Santos. Sou apaixonada por futebol e brasileira, mas a equação simples aparentemente de torcer pelo Santos não é perfeita assim. E ficou complexa depois do jogo.

Estava torcendo pelo Barcelona. Afinal, como não torcer pelo Barcelona?

Entendo de futebol, antes que venham brincar com as velhas e preconceituosas associações entre mulher-futebol de forma depreciativa. Mas neste caso, não me interessa analisar tecnicamente o time do Barcelona.

O Futebol praticado por este time é de encher os olhos. Encanta. Meus olhos, sempre ressecadíssimos pela manhã após a cirurgia, ficaram encantados com o futebol do time catalão. Futebol arte sim, simples e brilhante.

Uma das coisas que me encanta é a sensação de que o Barcelona é um time. Não é fácil ser um time hoje. Vendo o jogo, tive a impressão que nosso futebol brasileiro decai justamente no momento em que o time deixa de ser importante e ocupa este espaço os jogadores estrelas, astros-jogadores. Fácil perceber isso nas manchetes de jornais que chamavam a atenção para o suposto duelo Messi x Neymar. Como se apenas esses dois jogadores fossem ou pudessem ser responsáveis pela partida.

Jogo de futebol oficial precisa de 11 jogadores. Fato.

Na transmissão da Globo, em determinado momento, o narrador perguntou “não tem nenhum que jogue mal nesse time do Barcelona?”. Acho que ai reside o segredo que tornou Messi o melhor do mundo no Barcelona e nem tão bom na seleção argentina. O jogador aliar sua genialidade (inegável) a um time, que joga pelo time, não por si só. Diferente do que vemos no Brasil, infelizmente.

Outra curiosidade: impressão minha ou alguém mais achou que os santistas entraram com certo aspecto derrotado no campo? Como se já tivessem entrado em campo perdendo de 10 x 0. Tudo bem, que jogar com o Barcelona, o melhor time da atualidade (minha modesta opinião) já PE quase isso, na teoria. Mas, mesmo que eu ache que o Santos é inferior em qualidade ao Barça, eles jogam, tem jogadores de qualidade, ainda que individualmente, e não mostraram nada. Absolutamente nada. Barcelona chegou a ter 76% de posse de bola. Marcou 4 gols, e não mais porque passaram a administrar o jogo.

No final do jogo, dois outros fatos chamou minha atenção. Puyol em entrevista, ao ser perguntado sobre a homenagem à David Villa (jogador do Barcelona lesionado na semi final do Mundial) respondeu “com ele somos mais forte”. E no momento do apito afinal do jogo, antes de comemorar a conquista do título, jogadores do time catalão primeiramente cumprimentaram jogadores santista.

Ai o Barcelona me arrebatou de vez. Jogam bonito, simples, e constroem uma filosofia que tem como princípio a formação de jogadores e de homens, não de astros pops; filosofia de tem como base o respeito aos times adversários. Coisa difícil de ver no futebol brasileiro ultimamente.

Futebol, arte, jogadores bons, time de fato, coletividade, respeito. Em 90 minutos de futebol. E nem inclui minha análise da plástica dos jogadores, para não ser acusada de alienação e não entender de futebol só por ser mulher.

Depois de tudo isso, como não torcer pelo Barcelona???


24 de novembro de 2011

Ousar ter esperança



Morrer ajoelhado com tiros na cabeça. Morte dura, cruel. E eram apenas jovens. Seis, com idade entre 14 e 17 anos, assassinados em Icoaraci, distrito de Belém, na calçada, em frente a um prédio de instituição pública municipal. Indícios claro de execução.
Hoje, em um jornal regional no horário do almoço, a apresentadora em conversa com o atual secretário de segurança pública do estado do Pará, cogitou com este se o crime poderia ser passional. Nas primeiras informações sobre o crime, a policia chegou a alegar que alguns dos jovens assassinados tinha registro de passagem pela policia.
Declarações que não deixam dúvidas sobre como se trata vitimas de violência em nosso estado e no país. Não basta ser violentado por ser pobre, jovem, negro, morador de área periférica, já ter boa parte de seus direitos usurpados. Não basta ser morto cruelmente ajoelhado e com tiro na cabeça. Você ainda é desrespeitado mesmo após a morte brutal. Ainda tentam justificar o crime, diminuí-lo.
Sou cidadã, pesquisadora da área de crime e criminalidade. Mas não embruteci. Fico chocada com esses tipos de violência. Chocada com a insensibilidade de gestores públicos e de parcela da imprensa.
Nesta situação, eu realmente gostaria de ouvir do secretário de segurança do Pará: o Estado falhou novamente, não demos conta mais uma vez de garantir o direito de viver de mais 6 jovens, de protegê-los, de lhes permitir que vivessem sua vida, realizassem seus sonhos. Jovens, famílias, sociedade paraense, pedimos desculpas e prometemos nos empenhar para impedir que novas mortes aconteçam.
Não queria mais ouvir, por parte da imprensa e da policia, tentativas infundadas, injustificadas e desrespeitosas, cogitando crime passional, alegando passagem de alguns dos jovens pela policia como possível justificativa para o ato bárbaro. Ouvi essas declarações e me senti no século XVII, antes da reforma penal, quando as punições por crimes eram centradas no suplicio do corpo. Ainda é está mentalidade que paira em partes da nossa policia e da nossa imprensa. Matou? Pode ser morto. Roubou? Pode apodrecer na cadeia.

Nas declarações do secretário hoje, ouvi indiferença. Não queria e não aguento mais ouvir, numa hora dessas, que os índices de criminalidade e de homicídio no Pará tem diminuído nesta gestão governamental. Se for verdade essa diminuição, não impede e não impediu que a vida de jovens seja tirada brutalmente, que a alma dos pais e mães seja arrancada, trucidada.

Gestor público tem que ter sensibilidade, não basta eficiência com dados, informações. Gestam vidas e não números, como dizia o próprio senhor governador a época de sua campanha ao governo. E que parece ter esquecido.
Não foi dado tom respeitoso por parte da tal apresentadora do jornal. Não é possível que assassinato de seis jovens, ajoelhados e com tiros na cabeça seja considerado como crime passional.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dados sobre o registro de crimes no País em 2010 e o investimento dos Estados na segurança apontam que nossa situação no Pará é realmente séria.
Estamos na 6ª colocação do ranking de estados em número de homicídios dolosos, ou seja, causar a morte de alguém, com uma taxa de 33,2 homicídios por 100 mil habitantes; e também em crimes violentos letais (homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte). Somos o 2º estado no ranking de latrocínios, roubo seguido de morte. Ocupamos a 8ª colocação no ranking de tráfico de entorpecentes. E de posse ilegal de armas. O 9º estado em casos de estupro, atos libidinosos e atentados violentos ao pudor. O 11º em lesão corporal dolosa. Em contrapartida aos que taxam os/as jovens de perigosos, somos, de acordo com está pesquisa, o 23º estado em criminalidade juvenil (adolescentes “em conflito com a lei” e com liberdade restringida).
Para esta situação preocupante, para me utilizar de um pleonasmo, o governo estadual disponibiliza apenas R$ 136,00 por pessoa nos gastos com segurança pública, fazendo com que o Pará seja o 22º estado em gastos no país com esta área.
Lembro que na campanha ao governo estadual, o atual governador gostava de repetir quase como um mantra a idéia de que se preocupava mais com pessoas do que com números.
Não acreditei nisso à época. Não acredito agora. Seis jovens foram brutalmente assassinados. Os números comprovam que a situação da segurança pública no Pará são caóticos. Fico com a certeza de que o atual governo estadual não se preocupa nem com os números, e muito menos com a população do estado.
Continua permitindo a morte de nossos jovens. A morte física, brutal. E a morte lenta, aquela que vai matando aos poucos, quase de maneira imperceptível, destruindo sonhos, impedindo de estudar, de trabalhar decentemente, de se divertir.
Eu ouso ter esperança num estado marcado pelo derrame de sangue de nosso povo.

3 de novembro de 2011

Vivo




Não ter medo da vida deveria ser um princípio. Desses que não abrimos mão, nem em momentos que estamos postos em teste.

Encarar a vida de frente, sem a presunção de quem quer domá-la por puro egoísmo, mas sim, de peito aberto, de quem quer respirar os ares da felicidade e da liberdade.

Obviamente, não sou eu a pessoa a afirmar que nunca tive medo de encarar a vida. Certos sentimentos nos dominam as vezes, de tal forma, que se torna impossível se opor a eles.

O que posso afirmar, é que nunca tive medo de me dar ao luxo (nem tenho certeza se posso afirmar ser isso um luxo) de viver a vida, com tudo o que ela me oferecia de bom e de ruim, ou melhor dizendo, com tudo o que ela me oferecia para que eu pudesse construir de bom e de ruim.

Devo confessar, é necessário, que tantas vezes fui teimosa ao extremo, exagerada desmedidamente, orgulhosa em excesso. E em cada uma dessas situações construí pontes que me levavam a caminhos de aprendizado e até de felicidade.

Construo caminhos todos os dias.

Em cada momento.

Num olhar, numa palavra, num gesto.

Que me levem a lugares desconhecidos, ou até mesmo aos conhecidos que nunca ousei seguir.

Tantas vezes chorei, recuei, driblei vontades. Não me arrependo. Aprendi.

A vida segue. 

Respirar deve ser um desses aprendizados que não devemos abrir mão.

Respirar e encher os pulmões de vida. 

Seguir os impulsos do coração; dar ouvidos à razão, mas guiar-se apenas por ela jamais.

Os desafios vem, ensinam, passam. 

Fico. Eu e o caminho que construo.

2 de agosto de 2011

Emoção, política e Nelson Jobim.

Hoje pela manhã, quando sai do trabalho, passei por uma esquina na qual estava um senhor e um menino, este devia ter uns 8 anos de idade, paraciam ser pai e filho. O pai pedia às pessoas que passavam pela rua para lhes comprarem um lanche. Horas depois, enquanto esperava o ônibus, encontrei uma senhora bem idosa, já com dificuldades para andar, pedindo dinheiro para as pessoas. Segundo a própria, "ela estava aperreada porque haviam cortado a sua luz" por isso pedia dinheiro, para pagar a conta.
Nessas horas, dá um nó na garganta.

Já em casa, a tarde, pela primeira fiz meu primo de apenas 7 meses dormir. Enquanto eu o embalava, o acalantava, lembrei-me daquelas pessoas que encontrei no caminho para casa.

O nó na garganta voltou. Essa sensação de que não fizemos nada por esta gente que tanto sofre, mesmo com os avanços consideráveis alcançados com muitas lutas, é de deixar qualquer ser arrasado.

Enquanto recordava dessas pessoas, que nem conhecia até a manhã de hoje, e que continuo não conhecendo nada além daquele olhar de tristeza , lembrei do senhor ministro da defesa do Brasil, Nelson Jobim.
Este cidadão foi o entrevistado do programa Roda Viva, na TV Cultura na noite de ontem. Não o assisti. Estava extremamente cansada depois de um dia todo de aulas ministradas. Mas enquanto exercia o que me cabe de liberdade de expressão em relação aos programas de televisão - mudar de canal - ouvi uma pergunta à ele e sua resposta. A apresentadora perguntou se ele se sentia desprestigiado pelo fato de ter sido muito mais recebido no Palácio do Planalto pelo ex presidente Lula do que o é hoje pela presidenta Dilma.
Jobim respondeu com uma negativa, disse que não se ressente por este fato, para ele política é algo separado das emoções, "aprendeu que na política até as brigas são combinadas", só mistura política e emoção os iniciantes e o tolos, ou algo muitissimo parecido com isso.

Então fiquei pensando como é que posso olhar para um pai e filho (uma criança de menos de 10 anos) que pediam comida e a uma senhora idosa que pedia dinheiro na rua para pagar sua conta de energia e não me emocionar? Como pode, eu que sou militante, filiada a partido politico, atuante, eatudiosa, que compreendo como esse sistema funciona, que sei quais mudanças devem ser feitas, que busco respostas para realizar essas mudanças, e que para isso, uso minha racionalidade, como é que posso não sentir um nó na garganta?
Militei, estudei, compreendi o bastante para saber que há de se mudar a super-estrutura. Há que se construir uma nova ordem. Os programas implantados atualmente pelo governo brasileiro podem acabar com a fome de comida e de existência imediatas, mas a longo prazo, não acabará. Disso eu sei. Sei também que nã gestão pública é necessário a combinação entre racionalidade e emoção.

Mas de que me basta saber dessa engrenagem se dentro do meu peito eu não carrego nenhum sentimento, nenhum respeito por esta gente? De que adianta o conhecimento aprendido e apreendido na acadêmia se eu não consigo transformá-los em ações efetivas que mudem a vida do povo brasileiro? De que adianta?

Como pode uma costureira fazer uma roupa se ela não sabe cortar, alinhavar, costurar? Como pode uma cozinheira preparar uma refeição se ela não conhece ingredientes, não sabe cortar, temperar? Como pode um político, que assume tarefa no poder executico ter suas ações políticas separadas da emoção? Como pode um gestor não conhecer seu povo e aproximar dele e de suas dores, se o seu papel é justamente de o representar?

Na minha humilde visão, pelo meu pouco conhecimento de vida, não acredito nessa divisão entre política e emoção.

Eu não vivi as mesmas dores daquelas pessoas que encontrei nesta manhã, mas senti parte dela. E vendo meu priminho tão pequeno ali no meu colo e o mundo tão grande e tão injusto que ele e tantas outras crianças nasceram, prefiro acreditar no velho Marx que afirmava que não podemos embrutecer e no velho Che, que nos dizia "endurecer, sem perder a ternura jamais".

31 de julho de 2011

Aos/as amigos e amigas da vida

Queridos, queridas,

O tempo tem sido um tanto exigente comigo. A vida tem me presenteado com tarefas, desafios e algumas provas de superação.


Fácil não tem sido, é verdade. Mas não há de ser nada impossivel de suportar e vence-los.


É tempo de plantar. Não tenho dúvidas. Agora, passos iniciais de um novo ciclo de minha vida e de outras, que estão ligadas à minha por razões diversas, estão sendo dados. Algumas vezes regados à lagrimas de saudade, dor; outras, de felicidade e superação.


A vida é assim mesmo. Triste de quem não compreende, se abate e não se permite vivê-la com todas as suas dores e alegrias.


Das muitas coisas que me dói nos últimos tempos, não ter podido passar mais tempo com vocês está no topo da lista, junto de outras tão importantes nesta minha existência.


Se é verdade que as reais amizades independem do espaço geográfico, territorial para existirem, é tanto verdade também, o quão delicioso é poder compartilhar a vida com aqueles e aquelas que são um pedaço de nós no mundo.


Gostoso mesmo é ter amigos e amigas e ser amiga. Não abro mão disso. Mesmo que o tempo, a distância, os afazeres diários, os problemas da vida contribuam para atrapalhar, separar e distanciar.


"Os verdadeiros amigos sabem entender o silêncio e manter a presença mesmo quando ausentes" disse Renato Teixeira. Salve as verdadeiras amizades, os/as verdadeiros amigos/as.


Em outros tempos também plantei e colhi belas amizades.


A vida agora exige plantar novamente em busca de novas experiências, de novos aprendizados, novas conquistas. Eu sigo caminhando e preservando e cultivando tudo o que já conquistei na vida com o maior cuidado, regando, mesmo de longe.


Amigos, amigas. Saudade é amor que fica. A amizade continua aqui dentro do coração mesmo quando estou longe e super ocupada. Mesmo quando não posso contemplar junto de vocês o por do sol embalado pelo reggae e as risadas, tão planejado e aguardado para este mês de julho.


Aqui, em meio à preparação das minha aulas, planejamento das tarefas da semana, tarefas relacionadas à familia etc etc, vou regando com carinho, amor e cuidado nossa amizade para que ela viva por todo o tempo.